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Lição 12 - Milagres no Nosso Tempo


SUBSÍDIO PREPARADO PELA EQUIPE DO SITE LIÇÕES BÍBLICAS DA CPAD

“[...] Os fariseus ... pediam um sinal do céu. E Jesus... disse-lhes: por que esta geração pede um sinal? Nenhum sinal lhe será dado. E deixando-os, entrou no barco e foi para o outro lado” (Mc 8.11-13). Os fariseus queriam encontrar algum fato para desqualificar e acusar a Jesus e, por isso, pediam um sinal do céu. Jesus ficou indignado com o pedido, porque eles não eram agnósticos (não precisavam ver para crer), mas hipócritas sarcásticos, ou seja, qualquer que fosse a maravilha realizada, eles a refutariam/desvalorizariam. Em seguida, deixou-os falando sozinhos e foi embora, porque Ele não precisava provar nada a ninguém. Sua divindade não seria aferida por um sinal do céu, mas pelas marcas deixadas na Terra.

Um relacionamento baseado em demonstrações não é sincero. Amizade se estabelece pela confiança no caráter. Por tal motivo, Jesus nunca quis conquistar discípulos pelos milagres. Quando alguém queria um milagre, só pelo espetáculo que isso proporcionava, Ele se afastava. O Senhor buscava pessoas para viver uma relação de amor com Deus.
Dentro de sua soberana vontade, o Senhor pode intervir milagrosamente no tempo e no espaço, mudando as circunstâncias, ou não! Na tentação de Jesus, por exemplo, o Diabo sugeriu a Jesus que realizasse dois milagres, mas o Senhor, usando a palavra, rechaçou o engodo maligno, a mesma conduta usada quando tratou com os fariseus.
Deus, por sua soberania, faz milagres quando quer, com propósitos específicos, mas somente se for para a glória do seu nome, já que nem todos os milagres solicitados são do agrado do Todo-Poderoso.


Possibilidade universal

A possibilidade universal (a ideia de que tudo é possível) é um dos pressupostos da ciência. Para analisar a ocorrência de um milagre, o cientista deve despir-se de qualquer preconceito quanto ao resultado de sua pesquisa, característica rara nos dias atuais. O primeiro passo consiste em não distinguir entre fato subnatural, natural e sobrenatural diante de Deus, porque para Ele todos os acontecimentos são naturais (o Senhor não se assombra com nada - Lc 1.37), afinal Ele é a Causa de tudo (Gn 1.1; Jo 1.3; Rm 11.36).
Fatos subnaturais, filosoficamente falando, são aqueles que não obedecem às leis fixas da natureza, por causa da entropia, que é um conceito da termodinâmica que mede a desordem das partículas de um determinado sistema físico. Assim, quanto maior for a desordem de um sistema, maior será a sua entropia. Essa desordem, então, foge do controle das leis naturais e, por isso, altera a classificação para um fato subnatural, pois desafia a regularidade das leis que regem o Universo. Os fatos naturais seguem o padrão de comportamento da Natureza e os considerados sobrenaturais são os inviáveis, posto que não podem ser aferidos pelo método científico. Assim, inexistindo preconceito em relação à natureza do fato, nenhuma hipótese de investigação científica pode ser previamente vetada.
O segundo passo, para não criar obstáculos cognitivos, resume-se em considerar que, também na própria natureza, as possibilidades são ilimitadas, pois ela está sempre se reinventando, adaptando-se. Eis mais um motivo para ser irrazoável fixar distinção científica entre fato subnatural, natural e o sobrenatural, isto porque hoje o sobrenatural (inviável do ponto de vista materialista) ou o subnatural (independente das leis naturais) pode, amanhã, vir a ser considerado natural.
Assim, livrando-se de qualquer preconceito e aderindo a esses dois passos, estará aberto o caminho para a obtenção do verdadeiro conhecimento, a única forma honesta de fazer ciência. Aliás, nessa linha de pensamento, o festejado cientista francês Louis Pasteur (1822-1895) afirmava que "um pouco de ciência nos afasta de Deus. Muito, nos aproxima".
Nos dias atuais, infelizmente, muitos filósofos e "formadores de opinião" se fecham em seus raciocínios e, com isso, contrariam até as verdades absolutas que eles mesmos professam como foi o caso do escritor e jornalista britânico Christopher Hitchens, autor do livro "Deus não é grande", o qual afirmava que somente aceitaria participar de uma religião que não acreditasse no sobrenatural. Assim, ele excluía previamente a possibilidade (universal) da existência de Deus, — princípio indispensável para a construção do conhecimento. Hitchens morreu em 2011 sem ser cristão, vítima de um câncer que, logo cedo, atingiu-lhe as cordas vocais, impossibilitando-lhe de, nos últimos meses em vida, vociferar contra Deus.
Christopher Hitchens não acreditava em milagres, porque eles não podiam (e nunca poderão) ser explicados cientificamente. Aliás, nem mesmo os anjos conseguem explicar detalhadamente como os milagres acontecem. Eles só têm a certeza que Deus não falha e que Ele tudo pode fazer. Maria, a mãe de Jesus, por exemplo, quis saber como seria sua concepção, ao que o Anjo Gabriel lhe respondeu que a sombra do Onipotente lhe cobriria e ela ficaria grávida. Simples assim. Como se vê, até Gabriel não entendia bem (ou não quis dizer, porque Maria não entenderia) o processo miraculoso.
"Pela fé entendemos que os mundos pela palavra de Deus foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente" (Hb 11.3). Que mensagem extraordinária. O escritor canônico entendia que era possível dar "um salto no escuro", e declarar convictamente sobre o milagre da Criação de Deus, garantindo que "o essencial era invisível aos olhos".

Evidência histórica dos milagres

Muitos estudiosos suscitam fragilidades nas evidências dos milagres narrados pela Bíblia, mas a maioria das considerações não são realizadas através de análises criteriosas. Criticam, por exemplo, o fato de muitas das testemunhas serem pessoas simples, que seriam facilmente enganadas. No entanto, não se deve exigir que a testemunha seja um químico para que seu depoimento sobre a transformação de água em vinho tenha validade, ou que tenha cursado medicina para poder atestar uma cura etc. Se assim fosse, somente seria admitida, pelos tribunais, como testemunha de um assassinato, o indivíduo que fosse um perito criminal. Obviamente, esse argumento não tem sentido.
Fala-se, também, que os evangelistas inventaram as histórias por interesses pessoais, entretanto nenhum deles ficou rico e todos sofreram muito por causa dessas histórias e, à exceção de João, todos os apóstolos foram martirizados! Os doze apóstolos, homens simples, não morreriam por uma mentira. Eles teriam desmentido os evangelistas.
Aludem, também, que há muitas contradições, porém, na verdade, as narrativas dos evangelhos são complementares e nunca contraditórias, sempre mostrando o mesmo episódio, contado a partir de vários olhares, o que fortalece a história. Eles narraram os fatos miraculosos com a alma livre, sem medo, sem combinar e nem conspirar nada um com o outro.
Outro aspecto relevante é perceber que, além dos milagres, são trazidas narrativas de traição, covardia, dúvida, fraqueza, desunião, inveja, dos próprios apóstolos. Ora, se eles estivessem mentindo, seria lógico capricharem nas realizações altruísticas deles mesmos, porém o que eles escreveram sobre o núcleo apostólico é pífio e vergonhoso.
Por fim, não há razão intelectual para desacreditar (simplesmente pela ausência de fé) no depoimento de pessoas que presenciaram os fatos, ou ouviram falar deles pouco tempo depois, e dar maiores créditos às "provas" (escritos apócrifos, teses conspiratórias surreais, etc) que surgiram séculos após os episódios acontecerem. Reconhece-se, por certo, que a imediatidade no colhimento da prova é fator preponderante para a sua valoração e, neste caso, as narrativas dos evangelhos possuem alto grau de credibilidade.

Definição

O milagre não deve ser definido como um fato determinado por causa sobrenatural, pois definir um fenômeno por aquilo que o causou é um erro lógico. Deve-se, porém, caracterizá-lo por sua natureza, da mesma forma que um assassinato é, por definição, matar alguém (Código Penal, artigo 121), mas seria impensável vincular o tipo do crime àquilo que provocou o falecimento, — a causa mortis.
John McDowell, forte na definição de Ricard Purtill, assevera que milagre é "um evento em que Deus temporariamente faz uma exceção à ordem natural das coisas, para mostrar que Ele está agindo".1 O milagre, assim, deve ser delimitado por aquilo que ele é: a invasão de um poder de fora da Natureza, mas que possui a mesma origem da Natureza: Deus. Essa invasão divina na Natureza, no entanto, não anula ou suspende as leis que regem o Universo, apenas reajusta, põe no lugar algo indevido, para, em seguida, a vida retomar o seu curso natural.

Conclusão

A encarnação de Cristo foi o principal milagre que ocorreu. Deus se apequenou, fazendo-se homem. Ninguém, até então, tinha pensado que o Todo-Poderoso se fragilizaria. Havia uma pista, é verdade, quando o Senhor falou sobre uma semente da mulher que venceria o mal (Gn 3.15), todavia não se cogitava que essa semente seria Ele próprio.
Como uma planta, o Eterno colocou toda sua essência em uma semente — seu próprio Ser — que precisou morrer como acontece com uma semente, para gerar vida. Essa pobre analogia da natureza serve como uma tênue sombra do maior Milagre do nosso tempo.

*Este subsídio foi adaptado de ODILO, Reynaldo. Tempo Para Todas as Coisas: Aproveitando as oportunidades que Deus nos dá. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, pp. 139-148.

1 McDOWELL, Josh. McDOWELL, Sean. Evidências da Ressurreição. 1ª ed., Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p. 135.



Que Deus o(a) abençoe.

Telma Bueno
Editora responsável pela Revista Lições Bíblica Jovens

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