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As Exigências Básicas da Justiça sob a Ótica de Jesus

Subsídio Lições Bíblicas CPAD

INTRODUÇÃO
I -PRIMEIRO ATO DE JUSTIÇA - A ESMOLA
II - SEGUNDO ATO DE JUSTIÇA - A ORAÇÃO
III  - TERCEIRO ATO DE JUSTIÇA - O JEJUM
CONCLUSÃO



Esmolas – “Quando... deres esmolas (Mt 6.2)”. “No judaísmo, dar aos pobres era um dever religioso e não um ato de filantropia (Dt 15.7-11; Sl 112.9). Ninguém, na época de Jesus, ao ver uma pessoa dando aos pobres, pensaria: ‘ele não é generoso?’ Jesus não critica este ponto de vista, que está enraizado em mandamentos bíblicos. O que Jesus critica é que as pessoas deem aos pobres para fazer com que os demais pensem que elas são devotas. As pessoas que são verdadeiramente devotas fazem o que é certo simplesmente para agradar a Deus, a quem elas amam.

“Como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens” (Mt 6.2). A palavra hypokrites é a palavra grega para alguém que interpreta num palco, ou um ator. “E teu Pai, que vê em secreto, te recompensará” (Mt 6.4). A expressão ‘em secreto’, ou ‘em oculto’ (to krupto) é significativa neste contexto, sendo repetida em 6.6 e 6.8. É o relacionamento pessoal invisível do crente com Deus que deve ter prioridade em nossas vidas. Duas coisas são repetidas em cada contexto. Deus é uma realidade invisível. E Deus recompensará aqueles que ajam motivados pelo amor e pela lealdade para com Ele.

Não seja motivado pela popularidade e pelo aplauso vazio da multidão. Procure agradar a Deus, deseje fervorosamente sua aprovação. E você certamente receberá tesouros no céu.

Oração – “E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios” (Mt 6.7). A ideia pode não enfatizar tanto a natureza repetitiva da oração pagã quanto do valor atribuído ao ritual. A adoração oficial em Roma exigia a repetição de fórmulas religiosas memorizadas. Se o sacerdote cometesse um único engano, todo o culto deveria ser repetido. Em contraste, Jesus nos lembra de que a oração é a expressão de um relacionamento pessoal, e não um rito religioso. Os pagãos confiam no ritual; o povo de Deus entra espontaneamente na presença daquEle a quem conhecem como Pai Celestial.

“O pão nosso de cada dia dá-nos hoje” (Mt 6.11). A maioria das pessoas na Palestina na época de Jesus trabalhava nas suas próprias plantações ou trabalhava servindo a outras pessoas. Um trabalhador recebia um denário no final de cada dia. Com isto ele comprava comida para a sua família, óleo para a lâmpada e outras coisas. Aquele denário, que era o típico salário de um dia de trabalho, mal era suficiente para cobrir estas despesas diárias.

Assim, a oração que Jesus ensinou a seus seguidores era realmente comovente. Os cristãos devem confiar em Deus, diariamente, para o suprimento de seu pão. O relacionamento com Deus não promete que ganharemos na loteria, nem que teremos uma grande conta de poupança. Na verdade, o que devemos pedir é o pão cotidiano, numa oração que nos lembre de que, separados de Deus, não podemos confiar em nada deste mundo, mas que com Ele como Pai nós realmente temos tudo o que necessitamos.
Jejum – “Quando jejuardes, não vos mostreis contristados” (Mt 6.16). Somente um dia de jejum é ordenado no Antigo Testamento, o Dia da Expiação (Lv 16.29-31; 23.27-32). Ainda assim, o jejum fazia parte da vida social e religiosa de Israel. Os indivíduos e grupos jejuavam como um sinal de humildade e confissão (Sl 35.13; Is 58.3,5), ou como indicação de desespero na oração (2 Sm 1.12; Ed 8.21-23). Depois do exílio na Babilônia, foram introduzidos jejuns comemorativos (Zc 7.3-5; 8.19).

Na época de Jesus, os fariseus jejuavam voluntariamente duas vezes por semana (Lc 18.12), todas as segundas-feiras e quintas-feiras. No entanto, muitos dos que jejuavam asseguravam-se de que os demais soubessem que eles estavam realizando este ato devoto, assumindo uma atitude abatida, pulverizando cinzas sobre as suas cabeças ou deixando de lavar e de ungir os cabelos.

É interessante ver que na igreja pós-apostólicas aqueles que decidissem jejuar eram encorajados não seguir o procedimento judaico — mas a jejuar somente nas terças e quartas-feiras. Mas tudo isto é inútil. Jesus não está nem encorajando nem desencorajando o jejum. Ele simplesmente está nos lembrando de que quando uma pessoa jejua, ela deve fazer isso como um ato de adoração e não para sua autopromoção. Este é um bom princípio para aplicar em todas as nossas atividades ‘religiosas’. O que quer que façamos, deve ser motivado por um desejo de agradar a Deus e não pela preocupação com o que os outros pensarão de nós” (RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento.7.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, pp. 31,32)

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